quinta-feira, 16 de abril de 2009

Capítulo 6

A HORA DA VERDADE

O dia estava sendo horrível. Depois de vomitar, cheguei na escola morrendo de fome e a hora do almoço parecia se arrastar, nunca chegava. Dormi no tempo de biologia e só despertei com o sinal. Juro que seria capaz de cortar a fila da lanchonete, mas me controlei. Jessica tagarelava sem parar e isso me ajudou a esquecer minhas neuras momentaneamente. Por que as férias não eram mais longas? O combinado era eu esperar Jake na escola. Precisávamos conversar e resolver algumas coisas.
Foi inevitável dormir pelos próximos períodos, ainda mais confortável e de barriga cheia. As horas voaram e logo encontrei Jacob no estacionamento. De lá, fomos até o centro médico marcar uma consulta com um obstetra e depois paramos para lanchar. Conversamos bastante e decidimos contar aos nossos pais depois dos exames. Quando chegamos em casa, Charlie já estava lá. Jake resolveu não ficar, pois seus deveres de casa estavam muito atrasados. Conversei com meu pai enquanto preparava o jantar e depois de comer, fui para meu quarto estudar para a prova de trigonometria. Uma boa oportunidade de tomar uma bomba!
Adormeci encima dos livros e acordei com o despertador. Estava toda dolorida e minha cabeça doía muito. Tomei um banho rápido, me vesti e desci já bem enjoada e sem fome. Apenas preparei o café de Charlie a contra gosto e saí pra aula antes que ele me fizesse perguntas. A consulta era no fim da tarde e as horas pareciam se arrastar diante da minha ansiedade. Tudo parecia um sonho estranho, borrado, sem nitidez. Eu me sentia demasiadamente fora do eixo, completamente sem foco.
Terminada as aulas, fui para casa e almocei apenas um macarrão instantâneo. Me joguei no sofá da sala e em poucos minutos estava dormindo relaxadamente. Assim que despertei, me dei conta da hora e corri para me aprontar. Logo Jacob chegou e fomos juntos até o consultório médico. O lugar estava cheio, abafado e barulhento e as pessoas pareciam me encarar. Todo mundo de Forks se conhecia e não seria diferente com a filha do chefe de polícia. Suspirei e Jake me abraçou, me apoiando. Ficamos em pé esperando a minha vez.
Pareceram horas o tempo em que ficamos lá, mas valeu a pena. A médica fez uma ultrassonografia e nos mostrou o bebê. Foi possível também ouvir seu coração que batia acelerado e nessa hora meus olhos transbordaram. Era muito surreal e muito ilógico. Meu medo passara a ser amor por aquele feto e os olhos escuros de Jacob estavam agora embaçados por lágrimas. Foi mágico, fantástico! A médica nos deu detalhes sobre a gestação, nos entregou uns folhetos e nos deu dicas importantíssimas. Saí dali mais leve, mais feliz. Afinal, agora eu era mãe e ninguém nesse mundo poderia me tirar isso!
Quando dei por mim, estávamos na frente de casa e eu ofegava. Logo Charlie chegaria e contaríamos a ele a verdade. Eu tremia constantemente e só consegui entrar em casa porque Jake me carregava. Ele buscou um copo de água e se sentou ao meu lado, esperando que eu me acalma-se. Me tomou em seus braços e ficou afagando meus cabelos, me passando tranqüilidade. Na mesma hora de sempre, ouvi papai bater a porta da viatura: a hora da verdade se aproximava.
Jacob apertou o abraço, me dando apoio, enquanto eu tentava controlar minha respiração. Charlie entrou, pendurou seu cinturão com a arma, se esticou todo e veio até nós, cumprimentando Jake com um aperto de mão.
- Vocês parecem assustados, apreensivos, sei lá! – Ele se jogou no sofá e ficou nos encarando.
- Pai, sabe o que é? – Eu procurava as palavras certas. – Eu e Jake precisávamos falar com você. – Eu tremia como nunca.
- Bom, falem crianças, estou ouvindo. – Ele mantinha um sorriso maroto nos lábios e isso não estava ajudando em nada.
- Eu e a Bella, nós... hã... – Eu o interrompi Jacob, vendo que seria muito difícil pra ele.
- Vou falar logo, sem enrolações. Vou ser objetiva! – Eu falei rápido, mas Charlie entendeu.
- Aconteceu alguma coisa? – Agora ele parecia preocupado e eu não podia fazê-lo sofrer assim.
- Aconteceu sim pai! Eu e Jake vamos ter um bebê. – Meu pai ganhou uma nova coloração no tom de giz branco e sua boca estava escancarada. Continuei falando.
- Estou grávida de 7 semanas. – Entreguei as fotos do ultrasom pra ele. – Eu e o bebê estamos bem. – Eu praticamente estava cuspindo as palavras.
- Olha Charlie, eu vou cuidar de tudo, prometo. E me desculpe por esse incidente, sei que não era isso que você queria pra Bella. – Jacob parecia aflito, nervoso.
- Eu ainda estou digerindo a notícia, me desculpem. – O silêncio inundou a sala por longos minutos. – Eu nem sei o que dizer, o que fazer. – Ele fitava o chão.
- Pai, me perdoe. – Agora eu chorava. Não queria magoar meu pai. Mas ele me surpreendeu.
- Bella, minha filha, você está bem? – Ele me abraçou, me apertando com força. – O que você está sentindo? Quer alguma coisa?
- Uhum! Quero que o senhor me solte, está me sufocando. – Eu soluçava, tentando controlar o choro.
- Oh! Me desculpe. – Ele me soltou e eu sorri pra ele. – Jake, eu só não te mato porque faria a Bella infeliz. – Incrivelmente ele sorriu. – E porque uma criança não pode ficar sem pai. – Ele abraçou Jacob e nesse momento reparei que os olhos de Charlie pareciam cheios de lágrimas.
- Obrigado Charlie! Prometo que cuidarei muito bem dos dois. – Ele sorriu. – Agora precisamos ir a La Push contar ao meu pai, antes que a notícia se espalhe. Várias fofoqueiras da cidade estavam no centro médico. – Todos nós rimos.
- Podem ir, vou logo atrás, só mudar de roupa. – Ele me olhou. – Bells, não vai se importar se eu for com sua picape, não é?
- Claro pai, sem problemas. – Eu sorri, enquanto pegava minha bolsa e segui Jake.
Ainda teria que contar pra Renée e confesso que isso me preocupava. Em La Push as coisas foram estranhamente tranqüilas e Billy afirmou que sabia que eu estava grávida. Ele sempre sabia demais. O velho Black estava realmente feliz e quando Charlie chegou, os dois brindaram com cerveja e peixe frito. O pai de Jacob deixou o meu bem mais tranqüilo e os dois se uniram pra cuidar de mim, ou melhor, da criança que eu esperava. Esses velhos carentes.
Eu e Jake ficamos namorando na garagem, conversando e idealizando como seria nossa vida dali pra frente. Fizemos planos mirabolantes e demos muita risada. Assim que cheguei em casa, liguei para mamãe e ela quase infartou do outro lado da linha. Achei que ela ia ficar chateada, que ia me passar um sermão, mas não foi assim. Ela continou afirmando que eu era uma mulher de 35 presa num corpo de 18 e que ela sabia que eu era madura suficiente para ser mãe. Rimos bastante juntas e ela me fez chorar de emoção, me contando coisas lindas sobre a gravidez.
Sozinha, no calor do meu quarto foi que eu comecei realmente a colocar as coisas no lugar e refletir sobre elas. Agora eu era Isabella Marie Swan, 18 anos, grávida. Grávida! Era muito estranho tudo isso e engraçado de certa forma. Eu, sempre tão responsável e madura, grávida aos 18, uma mãe adolescente, que ironia. Jacob parecia ainda meio perdido e confuso e eu não conseguia ler sua expressão. Ele estava obtuso, distante, mas não de mim, apenas estava perdido no emaranhado de novidades que nos cercava.
Os dias se arrastavam e o calor ameno já começava a sumir da previsão do tempo. Eu e Jake compramos algumas revistas para pais de primeira viagem e até um livro sobre bebês. Passávamos horas lendo e discutindo esse assunto, tirando e anotando todas as nossas dúvidas para a próxima consulta. Eu ainda não havia contado a ninguém do colégio sobre o fato, mas os boatos corriam. Alice me ligou apenas mais uma vez e eu resolvi que não contaria. Eu já estava diferente, mais cheia e sem cintura, mas eu usava roupas mais folgadas para disfarçar.
Eu era superprotegida por Charlie e Jacob, que pareceram se unir para tomar conta de mim como seu eu pudesse ser tragada pela Terra. Victoria ainda me assustava, mas estava desaparecida a meses. Será que ela voltaria?
Os enjôos matinais era catastróficos e mais forte que eles, só o sono que eu sentia a tarde. Logo pedi demissão da loja dos Newtons. Tentei por dias me manter alerta, mas meu pai insistiu que eu ficasse em casa descansando.
Um mês, dois meses e então era hora das pessoas saberem que eu estava grávida. Estava ficando muito difícil esconder a real situação. Pensei em contar logo de cara para Jessica, ela era ótima em espalhar as notícias. Faria isso no dia seguinte.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Capítulo 5

CONSEQUÊNCIAS

Os dias eram úmidos e abafados em Forks. O Sol apesar de raro, anunciava o verão. Mas isso já não me importava. Eu tinha meu Sol particular a hora que eu quisesse! Estávamos de férias e para a nossa segurança, Charlie era quase sempre arrastado para La Push. Em um sábado estranhamente ensolarado, fomos almoçar na casa de Sue. A comida estava fantástica, mas eu me sentia muito cansada e resolvi me jogar no tapete da sala. A algazarra era grande, mas logo eu adormeci. Acordei no colo de Jacob:

- Bells? – Ele alisava meu rosto. – Você está bem? – Abri meus olhos com dificuldade e sorri.

- Acho que sim. – Minha voz era rouca. – Só me senti cansada.

- Benzinho, não está mentindo para mim, não é? – Ele parecia realmente preocupado. – Todos os dias agora você dorme, parece sempre cansada. São os pesadelos? – Olhei bem nos olhos dele, sem entender.

- Não existem mais pesadelos. Estou bem, eu juro! – Me sentei no colo dele esfregando os olhos e bocejei. – Era só um pouco de sono. – Sorri.

- Sua dorminhoca. – Ele beijou meus lábios rapidamente, Seth gemeu do outro lado da sala e nós rimos. – Vem, vou te levar para minha casa e lá você dorme tranquila.

Ele me ajudou a levantar, ajeitei meus cabelos e fui me despedir. Os homens ainda comiam e eu não consegui controlar a risada. Meu corpo todo doia agora, principalmente as costelas. Dormir no chão não era uma alternativa viável. Chegamos à casa de Billy e eu entrei preguiçosamente, caminhando até a sala com Jacob atrás de mim. Ele sorria e veio me abraçar, encostando seus lábios nos meus. Ficou assim por um tempo e me beijou docemente. O beijo foi se prolongando e se aprofundando mais e mais. Comecei a me sentir nauseada e quando vi que não aguentaria mais, empurrei-o longe e corri para o banheiro. Mal tive tempo de saber se eu o magoei e lá se fora todo o almoço delicioso de Sue. Ele correu atrás de mim e foi me socorrer, me sentia humilhada.

- Bella! Bella! – Ele tentava levantar minha cabeça. – Respira fundo.

- Saia! Isso é humilhante! – Eu gemia e resmungava.

- Bella, acalme-se! Agora levante a cabeça, já vai passar. – Ele estava ajoelhado ao meu lado e secava o suor da minha testa com as costas da mão. – Venha se lavar. – Me colocou de pé em frente a pia, enquanto ajeitava o banheiro.

- Acho que comi demais. – Eu passava enxaguante bucal e lava o rosto.

- Você mal comeu, amor. – Ele me abraçou por traz e com a toalha, secou meu rosto com cuidado. – Consegue andar?

- Sim. – Ainda me segurando, fomos até a sala. Ele se sentou no sofá e me puxou com ele. Eu ainda me sentia enjoada.

- Bells, minha vida, o que você tá escondendo de mim? Você está doente? Por favor, me diz! – O olhar dele era de súplica.

- Não que eu saiba Jake. – Senti a mão quente dele queimar em meu rosto.

- Você está pálida, fria. – Ele me apertou junto dele. – Vou te levar ao hospital.

- Hospital não, eu estou bem. É normal. As vezes acontece. – Ele pareceu arfar.

- Se acontecer de novo você vai procurar um médico, ok? – Ele me encarava, sério.

- Prometo. – Dei um meio sorriso e me aninhei nos braços dele. Logo estava dormindo.

Acordei com vozes graves e abri os olhos. Charlie me encarava.

- Bella Adormecida? – Ele ria despreocupado. – Está na hora de irmos. – Olhei Jacob, que sorria calmamente.

- Perdi a hora, foi? – Me espreguicei. – Não sei o que está acontecendo comigo.

Eu e meu pai nos despedimos dos Black e seguimos tranquilamente pra casa. Já era tarde e eu resolvi ir direto para meu quarto. Li um pouco antes de pegar no sono novamente, acordei com Charlie:

- Bells, estou indo pescar com Billy e Sam. Jacob está na cozinha te esperando. – Ele me olhava, enquanto eu abria os olhos com dificuldade. – Vamos! Ande com isso! – Ele saiu fechando a porta atrás dele.

Eu saltei da cama direto para o banheiro e podia ouvir a voz de Billy e Jake no andar de baixo. Logo eu estava pronta, penteada e usando meus jeans básicos de sempre. Me olhei no espelho rapidamente e me dei conta de que precisava melhorar meu visual. Jacob era demasiadamente lindo perto de mim, que parecia tão comum, sem cor. Quando cheguei no andar de baixo, Charlie e Billy saiam tranquilamente e Jacob se apressou até mim.

- Bom dia minha princesa. – Me deu um beijo rápido nos lábios. – Tome seu café que vamos a Port Angeles. Billy me deu algum dinheiro para roupas novas. – Ele sorriu. – Essa vida de lobisomem tem suas desvantagens.

- Bom dia Jake! – Eu o abracei com força, sentindo falta do seu calor. – Tudo bem. Só me deixe comer uma tigela de cereais. – Eu estava faminta, minha barriga roncava. Ele se sentou em uma das cadeiras da cozinha enquanto eu preparava meu lanche.

- Meu pai me disse que são as últimas roupas que ele vai comprar. – Ele ria. – as vezes eu me esqueço que estou de roupa e quando vejo, elas viraram pó. – Ri com ele e me sentei a seu lado, comendo. – Esses velhos só pensam em peixe, não acha?

- Concordo! Quando não estão comendo, estão pescando ou resmungando! – Rimos alto.

- Velhos! Será que vamos ficar assim?

- Espero que não. - Terminei meu cereal e me coloquei de pé indo lavar a tigela e a colher.

- Se eu ficar assim você me mata! – Agora ele gargalhava e eu acompanhava.

- Credo Jake, que humor negro. – Mostrei a língua pra ele quando senti nauseas novamente. – Oh, droga! – Saí correndo escada acima, direto para o banheiro sem tempo nem para fechar a porta.

Lá se fora todo meu café da manhã e eu me sentia péssima, fraca. Jacob estava ali, ao meu lado, em silêncio, cuidando de mim. Ajeitou meu cabelo e esperou que eu terminasse de por tudo pra fora. Ajudou-me a levantar e a me lavar e depois me carregou até a cama.

- Amor, o que está acontecendo com você? – Ele estava aflito.

- Eu não sei, não sei mesmo! – Eu realmente não fazia idéia.

- Vou te levar ao pronto-socorro. Você não parece nada bem. – Não tive tempo de hesitar, porque quando Jacob me colocou de pé, desmaiei, desabando em seus braços.

Ele chamou meu nome diversas vezes, mas eu não podia responder. Acordei deitada em travesseiros estranhos, numa cama inclinada. Jake me olhava assustado, nervoso e meu braço doia. Droga! Agulhas. Odiava agulhas.

- Jake, me tira daqui. – Minha voz era só um sussurro.

- Bella, acalme-se. Vou chamar o médico. – Sumiu pela porta. Fiquei proferindo nomes horrendos até ele voltar com o médico.

- Isabella Swan.

- Bella. – Eu respondi.

- Muito bem Bella. Estou com uns exames aqui. – O médico lançou um olhar a Jacob, que não entendeu.

- Ah, tudo bem. Ele pode ficar. – Eu sorri para Jake e voltei a encarar o médico.

- Assine aqui para mim por favor. – Me deu a prancheta. – Obrigado! Antes de ir... – Ele começou a manusear a agulha em meu braço e trinquei os dentes. Aquilo era horrível! Ele colocou um curativo, estancando o sangue. – A senhorita não está doente, não se preocupe.

- Graças a Deus! - Jacob se levantou e se colocou ao meu lado, segurando minha mão.

- Só algumas recomendações. – O doutor me encarava com um sorriso bricando nos lábios. – Durma sempre que sentir sono, alimente-se bem e tome muito liquido. Deve aliviar os enjoos matinais.

- Esses enjoos não vão passar? – Fiquei amedrontada em pensar nos vômitos rotineiros.

- Vão sim. Quando você entrar no quarto mês já devem ter cessado. Pode variar, mas normalmente é assim. – Tudo pareceu escurecer. Quarto mês? Enjoos matinais? Jake parecia pálido.

- Eu... grávida? – Mal conseguia falar.

- Oh! Me desculpe! Parabéns mamãe! – O médico sorria abertamente. – Faça o pré-natal direitinho. É essencial. Agora já podem ir. – Prendi o ar e fiquei um pouco tonta. Apertei a mão de Jake com força e senti meu rosto quente e molhado. Estava chorando descontroladamente.

- Com licença. – O médico nos deixou a sós.

- Bella, acalme-se. – Quando o olhei, meu coração se partiu em mil pedaços, ele chorava também.

- Me desculpe. Me perdoa! – As lágrimas desciam em cascatas. – O que eu fiz?

- Para com isso, por favor. Você não fez nada. – Ele secava minhas lágrimas. – Nós fizemos e vamos ser responsáveis e dar conta disso. Agora fique calma. – Ele me abraçou e me segurou até que eu parasse de chorar.

Me levou para casa em silêncio, segurando minha mão. Precisávamos conversar e eu estava assustada agora. Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Seria alvo de fofocas. Justo eu que gostava do anonimato. Passamos quase duas horas conversando e tentando entender como seria. Decidimos que contaríamos a nossos pais outro dia. Ele ficou comigo até que eu adormecesse, cansada de chorar. Eu precisava ver um médico, cuidar das coisas da maneira correta. Acordei enjoada e corri para o banheiro.


terça-feira, 14 de abril de 2009

Capítulo 4

AMOR SEM DOR


Os dias se passavam tranquilamente, apesar de parecerem voar. Testei-me por diversas vezes tentando fazer com que o buraco doesse ou voltasse a se abrir, mas isso não aconteceu. Tentava pensar em Edward, dizia seu nome em alto e bom som e nem assim eu fui capaz de sentir dor. Os pesadelos desapareceram, meus amigos da escola voltaram a falar comigo, Charlie sorria. Meu Sol particular, meu Jacob iluminava a minha vida por completo, clareou meus caminhos, tapou meu buraco.
Uma semana, duas e então Jake e eu resolvemos contar a Billy e Charlie que estávamos namorando. Demos um jeito de levar Charlie para La Push, o que não foi difícil com a final do campeonato se aproximando e depois do jantar, nos reunimos na sala:
- E então meninos, o que querem falar? – Charlie olhava para Billy, que sorria de lado.
- É! Não se demorem. Já é quase hora do jogo! – Billy nos encarava despreocupado.
- Pai, Charlie... – Jake encheu os pulmões de ar. – Eu e a Bells estamos... Ahn... namorando.
- Como é? – Charlie estava radiante e corado. E eu completamente sem graça. – Namorando, vocês dois? Fala sério?!
- Eu já sabia! – Billy deu de ombros. – Só um cego como você, meu amigo, para não perceber.
- Isso é fabuloso! Parabéns minha filha! – Meu pai me apertou num abraço desconfortável e eu me senti ridícula.
- Pai! Me solta! – Tentava me livrar de seus braços. – Está me sufocando! – Ele ria abertamente.
- Charlie, pai, a gente só queria a permissão de vocês. – Nessa hora uma coisa rara aconteceu, Jacob corou.
- Claro Jake! Tem minha permissão e minha benção! – Charlie deu um tapa no ombro de Jake e se sentou no sofá.
- Nem precisavam pedir. Agora saiam e nos deixem ver o jogo em paz! – Billy mexia as mãos freneticamente apontando para a porta.
Jake me pegou pela mão e puxou para a saída. Ficamos em silencio até nos afastarmos o suficiente da casa, caminhando em direção à praia. A noite estava mais quente nesses últimos dias, com a proximidade do verão. Nossos passos eram lentos e despreocupados e o silencio foi quebrado pela risada alta de Jacob:
- Foi tão engraçada a sua cara quando Charlie te abraçou! – Ele ria a plenos pulmões e se divertia com as lembranças.
- Jake! Não foi engraçado! Foi embaraçoso. – Trinquei os dentes e fiz Jacob rir ainda mais.
- Bells, relaxa amor. – Ele acariciou meu rosto. – Já passou!
-Tem razão, já passou. Mas foi embaraçoso. – Ele me puxava pela mão, agora com pressa. – Jake, o que está fazendo? Calma!
- Você está muito lenta hoje. Tenho pressa! – Logo estávamos na praia com ele me arrastando. – Pronto! – Nem me deu tempo para respirar e me tomou em seus braços, num beijo intenso.
Nossos beijos sempre começavam assim e eu sabia como terminavam: ou dentro do Rabbit, onde Billy não nos encontraria, ou na minha picape, o que era mais arriscado. Para nossa sorte, o pai de Jacob passava bastante tempo na casa dos Clearwater e então terminar numa cama bem macia era quase uma rotina. Mas hoje estávamos longe de casa e eu tremi quando senti minha blusa de botões deixar meu corpo e o vento frio tocar a minha pele. Jake me apertou junto dele na tentativa de me aquecer.
- Bells? Acha que aguenta a água fria? Quero tentar uma coisa. – Ele parecia um pouco preocupado. Eu sorri, imaginando o que seria.
- Aguento se você me aquecer. – Mordi meus lábios quando seu sorriso perfeito me iluminou.
- Tá! Prometo que não a soltarei. Só me deixe terminar isso. – Ele voltou a me beijar e despir minhas roupas.
Eu o ajudei com as suas e logo ele estava me carregando para dentro da água. Tive um espasmo ao sentir a água fria em meu corpo quente, mas logo o frio já não me incomodava, não existia. Estar junto a um lobisomem tinha inúmeras vantagens. Eu sorri com tal pensamento enquanto íamos mais para o fundo. Quando estávamos cobertos até a altura dos ombros, ele tomou meus lábios com os seus, me beijando intensa e profundamente, me tirando da órbita.
Estávamos nos descobrindo a cada dia e isso tornava tudo maravilhoso, novo! As mãos de Jake apertavam minhas costas, deixando nossos corpos unidos para que eu não sentisse frio. Logo experimentei a sensação de ele me invadindo calmamente, enquanto eu cravava as unhas na sua pele morena. Sentia todo seu corpo pulsar junto ao meu e enterrava o rosto na curva do seu pescoço. Ele arfava e me apertava cada vez com mais vontade. Era tudo muito forte, intenso e quente entre nós dois. E éramos só nós dois, únicos, um do outro. Apaixonados e perdidos de amor, perdidos um no outro, sem precisar achar a saída. Quando as sensações se intensificaram e nossos corpos deram o último suspiro de prazer, Jacob ria abertamente, feliz:
- Meu bem! Se eu pudesse uivar agora eu o faria! – Ri com ele e corei.
- Ah! – Era bastante cômico imaginar a cena. –Só você pra dizer isso Jake.
- Minha Bella! Só minha! E inteira... – Ele beijava meu rosto. – A pessoa mais importante da minha vida. – Beijou minha testa.
- Eu te amo! – Sorria pra ele, olhando-o nos olhos.
- Te amo mais, sempre mais! – Me deu um beijo rápido e me olhou. – Benzinho, temos que voltar. Logo o jogo acaba e hoje é minha noite de ronda.
- Poxa! Não gosto de pensar em você acordado a noite toda com aquela maluca por aí. – Fiz beicinho.
- Bells, já disse para ter calma. Eu sei me cuidar! – Ele acariciou meu rosto.
Saímos da água e ele ajudou-me a me vestir e me aqueceu antes de ir para casa. Como eu faria com os cabelos molhados? Respiramos aliviados quando voltamos e Charlie ainda estava lá. Jacob avisou que estaríamos na garagem esperando. Lá, dentro o carro, Jake tentava secar meus cabelos com as mãos e o aquecedor ligado no máximo.
- Já estou transpirando. – Eu ria abertamente agora.
- E eu então? – Ele sorriu para mim e continou seu trabalho. – Não queria levar um tiro, não hoje! Talvez amanhã!
- Jake! Pare com isso! – Dei um tapa em sua perna. – Ninguém vai atirar em ninguém, ok?
- Tá certo! – Ele ainda ria. – Quase bom! O que seria de você se eu não fosse um lobo?
- Nada! E eu nem seria Isabella Swan! – Soltamos uma gargalhada e logo ouvimos Charlie nos chamar.
Por sorte meus cabelos estavam secos, um tanto quanto desgrenhados, mas secos e logo estava em casa novamente. Meu pai estava inquieto naquela noite. Resolvi correr pro banheiro e tomar um banho para tirar o sal. Já estava de pijamas, lendo debaixo das cobertas quando Charlie entrou no quarto:
- Bella? – Ele se sentou na beirada da cama. – Precisamos conversar.
- Tá tudo bem pai? – Ele parecia preocupado.
- Está... é que... sua mãe! – Ele gaguejava. – Ela me ligou perguntando se eu havia conversado com você sobre namoros... você sabe. Essas coisas. – Ele estava corado.
- Sei e o que tem? – Ele me deixava nervosa.
- Bom, é que... você está se cuidando Bella? – Nessa hora eu engoli seco e puxei o ar com força.
- Pai! Não quero falar sobre isso com você, não de novo! É constrangedor. – Eu coloquei um travesseiro no rosto.
- Eu sei. É estranho pra mim também. Me desculpe! – Charlie parecia querer abrir um buraco no chão e se esconder. – Sou seu pai, me preocupo com você.
- Tá certo pai, o senhor tem razão. – Segurei a mão dele. – Tá tudo bem!
- Está sim! Vá dormir, você parece cansada. – Ele deu um meio sorriso e saiu, fechando a porta.
Me joguei na cama e ri um pouco com o ocorrido. Logo o ar me faltou e eu fiquei zonza. Passou um filme curto em minha cabeça e quando acabou, me permiti respirar novamente. Tentei afastar algumas idéias da e logo adormeci. Acordei com uma sensação estranha de que algo parecia estar errado, mas não conseguia me lembrar o que era. O dia seguiu normalmente, assim como minha rotina. Escola, Jacob, trabalho, Jacob, Jacob, casa... bom, a ordem havia mudado um pouquinho, mas minha vida estava ótima.
Agora Alice sempre me ligava e parecia mais confiante ao tocar no nome de Edward. Ele estava bem, morando na América do Sul e eu pedi a ela que não o alertasse sobre Victoria. A tempos a vampira sádica não dava o ar da graça. Será que ela haveria desistido? Eu duvidava, mas preferiria que fosse assim. Só de pensar em MEU Jacob lutando com ela, meus músculos se enrijeciam, o ar me faltava.

sábado, 11 de abril de 2009

Capítulo 3

FOGO ARDENTE

Chegamos em casa por volta das oito e eu não sabia quanto tempo Charlie demoraria. Mesmo assim, convidei Jacob para entrar. Tranquei as portas com pressa e com medo, como se trancas e um pedaço de madeira fossem capaz de segurar uma vampira sádica. Já estava ofegando de medo quando senti braços quentes me envolverem. Suspirei e voltei a respirar normalmente, me sentindo mais calma, relaxada.

- Obrigada Jake! – Agradeci sinceramente.

- Não se preocupe! Eu sempre estarei te vigiando. Ela não vai te fazer nada, confie em mim! – Beijou minha orelha, meu pescoço. – Ofeguei novamente.

- Obrigada! Mas tome cuidado, não quero perder você. – Me virei para encará-lo e vi que estava confiante.

- Não vai me perder!

Nesse momento ele me puxou pra ele e me beijou e eu correspondi imediatamente. De repente me esqueci da hora, de Charlie, de tudo. Jacob me pegou no colo e subiu comigo. Quando estávamos em meu quarto, ele me colocou no chão e fechou a porta.

- Entregue. – Eu ri e fiquei fitando-o. – E então, posso ficar?

- Que pergunta idiota, é claro que pode! – Sorri e me sentei na cama. – Qualquer coisa você foje.

- Acho que não dá pra esconder meu carro. – Ele piscou e eu suspirei.

- Tem razão. – Bati na cama. – Fique mais um pouco, Charlie não se importaria.

Ele se sentou ao meu lado, me tomou em seus braços e me beijou com calma. Me entreguei a seu beijo, enquanto ele me deitava na cama. Deitou de lado e me virou pra ele, sem quebrar o beijo. Suas mãos grandes de quentes subiam e desciam por minhas costas e eu me prendia a ele pelo pescoço. Nossas pernas se enroscaram e eu arfava. Um milhão de coisas aconteciam ao mesmo tempo e meu corpo pulsava, suava. Era maravilhosa a sensação que Jacob me proporcionava, eu estava entregue e era só dele. Logo o beijo ficou mais intenso e as carícias mais ousadas. Minhas mãos passeavam pela lateral do corpo dele, explorando lugares e formas antes desconhecidas. Toquei a pele quente entre a camiseta e o cós da calça e ofeguei mais uma vez. Enfiei a mão sugestivamente por dentro da peça e fui alisando suas costas, tendo espasmos.

Jacob respondia cada toque meu com suas mãos hábeis. Agora elas desciam até meus joelhos e subiam rapidamente por minhas coxas e bunda. Me apertava e não paravam. Senti quando ele se livrou da camiseta, jogando-a no chão. Eu podia pará-lo, podia impedí-lo, mas eu não queria. Eu não podia, porque eu o desejava tanto quanto ele me desejava. Eu precisava dele ali. Então, como se me ouvisse, ele rolou para cima de mim, apoiado nos cotovelos e me encarava. Seu sorriso me inundou mais uma vez e percebi que ele pedia permissão para continuar. Respondi beijando-o, puxando-o para mim. Ele rapidamente, com uma agilidade impressionante, jogou meu sueter para longe e agora desabotoava minha blusa. Nossos lábios se separam quando ele terminou com os botões. Eu corei quando ele abriu minha blusa e me olhou. Os olhos negros cheios de paixão, de desejo. Ele tocou a pele do meu colo com as pontas dos dedos.

- Bells... isso é tão surreal. – Ele beijava meu rosto, meu queixo, meu colo. – Será que você não vai se arrepender depois? – Minha voz estava falha, mas mesmo assim respondi.

- Nunca Jake! – Era impossível me arrepender. – Sou sua agora, esqueceu! – Eu estava com medo. Medo de não saber o que fazer.

- Não sinta medo meu bem, eu sei tanto disso quanto você! – Alisava meu rosto. – Prometo te amar enquanto eu viver. – Deu um beijo rápido em meus lábios. Eu sorri.

- Tudo bem... – Fechei os olhos e ele voltou a me beijar.

Jacob era ágil e quando abri meus olhos, ele estava nú e eu corei de imediato, mas não conseguia tirar os olhos dele. Ele riu baixo, achando graça da minha reação. Eu ri também, ainda sem graça, e toquei seus braços, dando sinal para que ele continuasse. Logo, sua boca estava explorando meu colo, meus seios por cima do sutiã, minha barriga e parou ali, enquanto seus dedos abriam meu jeans, descendo-o pelas pernas delicadamente. Nem havia reparado que ele tinha se livrado dos meus sapatos. Agora eu vestia apenas lingerie e mesmo fazendo frio, eu suava. A sensação do corpo de Jacob no meu era enlouquecedora, parecia que mais nada existia. Suas mãos disputavam espaço com meu colchão, enquanto ele soltova meu sutiã. Senti meu rosto pegar fogo e logo ele se livrou da peça, tocando meus lábios com os seus. Senti seu peso sobre mim e arfei. Seu membro rijo agora me tocava e me enlouquecia. Eu notava o quanto ele me desejava. Eu não tinha mais nada a perder, Jacob Black agora era meu.

Ele voltou a beijar meu corpo e se livrou da ultima peça de roupa. Eu já não sentia mais vergonha e nem podia. Ele sorria para mim. Meu Sol sorria abertamente. Estava muito feliz e me fazia feliz também. Era tudo perfeito! Nunca imaginei que pudesse ser assim, tão maravilhoso. Então, com uma das mãos Jacob afastou minhas pernas e me olhou nos olhos:

- Bells, amor. Prometo que vou fazer doer o mínimo possível e se eu te machucar, me avise. – Sua testa estava apoiada na minha. – Promete? – Eu assenti e ele sorriu.

Colou seus lábios nos meus novamente e logo eu senti uma pressão no meu corpo. Uma dor tomou conta de mim e eu tentei respirar mais fundo, mas o beijo me impediu. Me agarrei em seus braços com força enquanto ele me invadia lentamente. Logo a dor nauseante deu lugar a uma sensação nova, quente. Eu me sentia inteira de novo, me sentia dele, só dele. Só de Jacob Black, meu menino-lobo. Meu homem-lobo. Tudo ficou escuro e eu arfava de prazer junto com ele. Seu corpo subia de descia, roçando no meu e eu o apertava mais agora. A sensação era deliciosa e eu o beijava loucamente. Puxava seus cabelos querendo-o mais perto. Estávamos em brasa e ele gemia baixo nos meus lábios. Se afastou e me olhou nos olhos demoradamente.

- Te amo Isabella Swan. Te amo mais que minha vida! – Ele sorriu e enterrou o rosto em meus cabelos.

Não podia existir alguém que se sentisse mais completa e perfeita naquele momento. Eu me sentia a pessoa mais maravilhosa do Mundo. As sensações eram idescritiveis e minhas mãos exploravam todo aquele corpo moreno e quente como se fosse a última vez que fosse tocá-lo. Gemiámos num compasso, os dois juntos, ritmados. Jake me fitou por um breve momento e eu pude ver todo desejo em seus olhos negros. Ele aumentou o ritmo das investidas e eu comecei a delirar debaixo dele. Ele voltou a se apoiar nos cotovelos e me olhava passando toda nossa cumplicidade. Senti que não aguentaria mais, pensei que você sair da órbita, que fose entrar em ebulição. Me prendi com força em seu pescoço e colei nossos lábios abafando um gemido mais alto, mais forte e ele pareceu fazer o mesmo. Logo, senti nossos corpos relaxarem e ele saiu de cima de mim, rolando para o lado.

Me puxou pra ele, me aninhando em seus braços. Beijei seu peito e ali fiquei por alguns instantes até que pudesse respirar normalmente. Ele beijou o topo de minha cabeça.

- Você está bem? – Sua voz era rouca, grave.

- Sim! Não! Quero dizer... – Eu sorri. – Estou maravilhosamente bem Jake!

- Ah Bella! Me sinto tão feliz! – Ele afagava meus cabelos.

- Eu também Jake, acredite. – Eu me afastei para olhá-lo. – Eu amo você! – E não era mentira, eu o amava, muito.

- Eu a amo mais, sempre mais! – Ele alisou meu rosto e me beijou brevemente. – Meu bem, eu preciso ir, amanhã temos aula.

- Amanhã posso te pegar na escola?

- Seria ótimo! Vou avisar Charlie! – Estava tão contente parecia quicar de emoção.

- Tá certo! E vê se dorme! Estaremos vigiando. – Ele me deu um beijo rápido e se levantou. – Melhor Charlie não me ver assim. – Ele riu. Rapidamente se vestiu e veio até mim. – Bella, eu te amo e você foi maravilhosa.

- Amo você também Jake! E você foi maravilhoso. – Toquei seu rosto e o beijei até ficar sem ar. – Tchau!

- Tchau! – Ele acenou da porta do meu quarto e sumiu na escuridão. Só tive tempo de ouvir o ronco do motor do Rabbit e me afundei nos travesseiros. Já sentia frio, então puxei o cobertor até a cabeça e logo dormi. Foi uma noite sem pesadelos.

Apenas com lindos sonhos coloridos e intrigantes. Charlie chegou e foi me ver. Respirou aliviado quando acordei naquela manhã sem os gritos de horror de sempre. Ele sorriu.


quinta-feira, 9 de abril de 2009

Capítulo 2

O PRIMEIRO É INESQUECÍVEL


O domingo parecia que ia ficar entre os dias bons da minha vida. Ensolarado, abafado e alegre, apesar de tudo. Tentei não pensar no dia anterior, tentei não lembrar das coisas ruins que aconteceram e Jacob estava colaborando muito.
Passeávamos de mãos dadas pela praia. A brisa era reconfortante e eu sorria tranquilamente. Era bom vestir apenas um suéter e deixar os trajes de biossegurança no armário. Paramos no nosso tronco esbranquiçado e sentamos. O silêncio durou apenas 1 segundo:
- Bella! Bem, eu... – Ele procurava as palavras certas. – Eu acho que é a hora de você saber de tudo e também eu não posso mais guardar nada. Aquele dia do cinema eu comecei, mas aconteceram tantas coisas de lá pra cá que nem pude mais falar sobre isso. – Eu o olhava e ele parecia nervoso. Eu o incentivei a continuar.
“Bella! – Ele segurou meu rosto como sempre fazia, mas de uma forma possessiva agora. – Me deixe te curar? Eu a amo! Me permita, por favor! – Os seus olhos escuros suplicavam, gritavam em desespero. – Eu preciso disso, preciso de você inteira.- Eu estava atenta e pasma. Era muito forte o que eu sentia naquele momento. E ele cotinuava. – Eu sei que pode parecer um tanto piegas, mas Bells eu te amo desde a primeira vez que a vi. Acredite em mim!”
Como não acreditar quando seus olhos gritavam pra mim? Como não permitir quando eu me sentia partida em vários pedaços? Mas como deixá-lo sofrer sendo que eu não estava inteira?
- Jacob, me ouça! Eu não sou boa pra você. Faltam pedaços meus... você merece alguém com mais a oferecer e o que eu tenho? Um buraco, oco. Apenas eu e meus problemas, apenas o nada. – Ele abaixou um pouco a cabeça e depois voltou a me olhar suplicante.
- Bella, eu não me importo! Eu quero você, inteira ou não. E eu sei, sei que posso reconstruir muitas coisas em você. – Os olhos brilhavam como chamas, eu tremi. – O que há de errado comigo? É porque sou um lobisomem?
- Jacob! Eu não me importo que você seja um! – Aquilo foi golpe baixo. – É só que não é justo com você! Você merece mais, muito mais! – Eu nem sabia mais o que estava falando. Senti naquele momento que eu o amava também, não da mesma forma, mas eu o amava.
- Bells... – Ele agora acariciava meu rosto com o polegar. – Nunca desistirei de você. Me deixe tentar! Se eu fracassar poderá me chutar para bem longe, mas me dê uma chance! – Ele deu aquele sorriso de aquecer a alma e eu sorri.
- Tudo bem lobo teimoso. – Bufei, fingindo cansaço. – Pode tentar!
- Tá falando sério mesmo? – Ele ria enquanto falava. – Se eu estivesse em forma de lobo agora, uivaria muito alto! – Ele soltou meu rosto e levantou rapidamente.
- Parece de ser maluco Jake! – Eu ria e não sabia se era de nervoso ou de alívio.
- Maluco? Impossível deixar de ser... quando tenho você assim, tão perto. – Ele me lançou um olhar furtivo e sem ao menos perceber, ele tinha o nariz muito perto do meu. Podia sentir seu hálito quente. – Bells, fique paradinha e não fuja de mim está bem?
- Uhum! – Mal me movimentei. Ele me olhava nos olhos profundamente, me analisava. Minha respiração já estava descompassada.
Então, Jake fechou os olhos e um tremor percorreu todo meu corpo. Passou seus dedos longos e quentes em meus lábios, pousando-os na minha bochecha, acariando-a devagar. Quando seus lábios em chamas tocaram os meus, esqueci de respirar e me senti zonza. Me segurei em seus ombros, o que o fez sentir que tinha permissão para continuar. Me beijou sem pudor, explorando meus lábios, pedindo permissão para aprofundar o beijo. Quando me lembrei de respirar novamente, permiti que sua língua quente invadisse minha boca, me preenchendo.
Era muito diferente de qualquer coisa que eu havia sentido em toda minha vida. Não que eu tivesse beijado outros garotos, mas Jacob era diferente até em comparação a Edward e nesse momento percebi que ao me lembrar dele o buraco não doia. Resolvi me entregar ao beijo, envolvendo o pescoço de Jake com meus braços. Ele me puxou, como se eu pudesse fugir, colando nossos corpos, me fazendo sentir todo o calor que emanava dele.
Eu estava descontrolada ali. Tremores diferentes subiam por minhas pernas, sentia meus braços formigarem, meu corpo em chamas. Jacob estava inebriado tanto quanto eu e me puxou, me fazendo sentar em seu colo. Ali eu me aninhei e o abracei mais forte, não querendo quebrar o beijo. A sensação era magnífica e encantadora. Jake não se preocupava em me quebrar, em me matar... ele só se entregava aos sentimentos, a paixão.
Ofegava alto quando ele descolou os lábios quentes do meu e me olhou com um sorriso de tirar o fôlego. Eu arfei mais uma vez, tentando me recuperar, sentia meu rosto queimando.
- Bells, meu bem! - Ele alisou meu rosto, rindo baixo. – Você me parece tão viva corada assim! – Agora eu deveria estar roxa.
- Jake... – resmunguei.
- Shhh... – Ele pousou o dedo indicador nos meus lábios. – Não digada nada ainda... eu não terminei. – Me deu um beijo rápido, me pegando de surpresa. – Pronto, pode me bater.
- Até parece! – Bufei. – Droga!
- Que foi? Foi tão ruim assim? Pensei que estivesse gostando. – Ele soava um tanto quanto zombeteiro.
- Eu gostei tá? – Fiz beicinho. – Mas é que você é muito metido! – Ele riu alto e eu tremi no colo dele.
- Ah Bella, você é tão divertida. – De repente ele ficou sério. – Bom, eu acho que... – Eu o interrompi.
- Não! Minha vez! – Eu o olhei firmemente. – Eu preciso falar tudo que eu sinto e prefiro que não me interrompa, está bem? – Ele assentiu. – Desde que começamos a nos ver de novo a minha vida mudou drasticamente e foi pra melhor. No começo eu pensei que seríamos só amigos, mas comecei a notar que você despertava em mim outros sentimentos muito mais complexos. – Ele me olhava atento. – E o que mais me enlouqueceu foi quando você não podia falar comigo. Achei que ia morrer sem você! – Ele pensou em me interromper, mas logo dessitiu. – Jake, agora eu estou abrindo meu coração pra você! E quero que saiba que está pegando ele falho. Mas eu vou fazer tudo o que eu puder pra retribuir na mesma intensidade. Espero que você tenha paciência... – Abaixei o rosto, olhando o chão de pedras.
- Bells... Eu sei onde estou me metendo e te prometo que não desistirei. Nunca desistirei de você. Porque eu a amo, muito! Você sabe disso! – Então ele me abraçou forte e ficamos assim por um bom tempo. Um ouvindo a respiração do outro. – Diga que ainda pode ser minha Bella!
- Eu posso Jake, eu sou! – Procurei os lábios quentes de Jacob para mostrar o quanto isso era importante pra mim. O beijei intensamente, me esquecendo de tudo, de todos. Agora só havia ele, apenas o Meu Jacob.
Parecia já estar escuro quando nos separamos. Eu estava corada e ofegante com os beijos. Era uma sensação completamente nova pra mim e eu me sentia inteiramente curada naquele momento. Jake se levantou comigo no colo e logo estávamos caminhando pela praia.
- Precisa mesmo me carregar? Eu tenho duas pernas boas! – ele riu.
- Duas pernas boas e atrapalhadas e também está tarde, Victoria está solta... – Nesse momento eu tremi de medo. – Calma, já disse que você não corre perigo Bella!
Logo estávamos entrando na casa dos Black. Achei estranho estar tão escuro e senti um arrepio percorrer minha espinha. Aquele medo sombrio me devastava e me assustava ainda mais ao imaginar Jacob lutando com uma vampira maléfica. Ele parecia despreocupado, tranquilo. Me colocou no chão, acendendo as luzes. Eu o segui, com um medo enorme. Na cozinha, vi Jake com um bilhete na mão.
- Billy foi na casa de Sue com Charlie, estão fazendo aquela macarronada. – Ele sorria. – Não seria má idéia ir pra lá, mas não é sempre que podemos ficar sozinhos em casa. – Sorri sem graça. – Hei, venha cá. – Ele me abraçou pela cintura, pousando o queixo no topo da minha cabeça. – Vamos aproveitar nosso tempo livre.
Ele me arrastou até a sala e lá nos sentamos no pequeno sofá que parecia não comportar Jacob. Ele sorria deliberadamente e eu já me sentia melhor. Logo ele rolou pro chão, me puxando com ele. Eu ri, achando graça da leveza que ele emanava. Fez isso sem nenhum baque ou ruído.
- As vezes me sinto tão incapaz. Todos parecem serem mais hábeis que eu. – Fiz beicinho.
- Claro Bella! Você é um ímã pra perigo e é tão desastrada. – Ele ria alto. – Mas fique tranquila, eu sabia que você era assim quando me apaixonei. – Eu tremi.
- Muito reconfortante! – Dei um tapa nele. – É humilhante!
- Não exagere Bells. Você parece aquelas meninas mimadas dos filmes. – Ele sorria para mim. – Só falta agora você bater o pé. Mas eu recomendo que você não faça isso, vai que você cai e quebre a perna. – Eu o fuzilei com os olhos.
- Jacob, seu cachorro pulguento! – Ele gargalhava.
- Benzinho, acalme-se. Estou apenas brincando. – Acariciou meu rosto e colou seus lábios quentes nos meus.
Logo estávamos rolando pelo tapete macio da sala. Parecia que o aquecedor estava no máximo, mas não, era apenas Jake e eu suava. Fiquei com um medo tremendo de que Charlie e Billy aparecessem de repente, empurrei Jacob com cuidado e o olhei:
- Melhor você me levar Jake, tá tarde! – Estava ofegante e com a testa molhada de suor.
- Tem razão! – Ele se levantou e me ajudou. – Vamos!

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