quarta-feira, 15 de abril de 2009

Capítulo 5

CONSEQUÊNCIAS

Os dias eram úmidos e abafados em Forks. O Sol apesar de raro, anunciava o verão. Mas isso já não me importava. Eu tinha meu Sol particular a hora que eu quisesse! Estávamos de férias e para a nossa segurança, Charlie era quase sempre arrastado para La Push. Em um sábado estranhamente ensolarado, fomos almoçar na casa de Sue. A comida estava fantástica, mas eu me sentia muito cansada e resolvi me jogar no tapete da sala. A algazarra era grande, mas logo eu adormeci. Acordei no colo de Jacob:

- Bells? – Ele alisava meu rosto. – Você está bem? – Abri meus olhos com dificuldade e sorri.

- Acho que sim. – Minha voz era rouca. – Só me senti cansada.

- Benzinho, não está mentindo para mim, não é? – Ele parecia realmente preocupado. – Todos os dias agora você dorme, parece sempre cansada. São os pesadelos? – Olhei bem nos olhos dele, sem entender.

- Não existem mais pesadelos. Estou bem, eu juro! – Me sentei no colo dele esfregando os olhos e bocejei. – Era só um pouco de sono. – Sorri.

- Sua dorminhoca. – Ele beijou meus lábios rapidamente, Seth gemeu do outro lado da sala e nós rimos. – Vem, vou te levar para minha casa e lá você dorme tranquila.

Ele me ajudou a levantar, ajeitei meus cabelos e fui me despedir. Os homens ainda comiam e eu não consegui controlar a risada. Meu corpo todo doia agora, principalmente as costelas. Dormir no chão não era uma alternativa viável. Chegamos à casa de Billy e eu entrei preguiçosamente, caminhando até a sala com Jacob atrás de mim. Ele sorria e veio me abraçar, encostando seus lábios nos meus. Ficou assim por um tempo e me beijou docemente. O beijo foi se prolongando e se aprofundando mais e mais. Comecei a me sentir nauseada e quando vi que não aguentaria mais, empurrei-o longe e corri para o banheiro. Mal tive tempo de saber se eu o magoei e lá se fora todo o almoço delicioso de Sue. Ele correu atrás de mim e foi me socorrer, me sentia humilhada.

- Bella! Bella! – Ele tentava levantar minha cabeça. – Respira fundo.

- Saia! Isso é humilhante! – Eu gemia e resmungava.

- Bella, acalme-se! Agora levante a cabeça, já vai passar. – Ele estava ajoelhado ao meu lado e secava o suor da minha testa com as costas da mão. – Venha se lavar. – Me colocou de pé em frente a pia, enquanto ajeitava o banheiro.

- Acho que comi demais. – Eu passava enxaguante bucal e lava o rosto.

- Você mal comeu, amor. – Ele me abraçou por traz e com a toalha, secou meu rosto com cuidado. – Consegue andar?

- Sim. – Ainda me segurando, fomos até a sala. Ele se sentou no sofá e me puxou com ele. Eu ainda me sentia enjoada.

- Bells, minha vida, o que você tá escondendo de mim? Você está doente? Por favor, me diz! – O olhar dele era de súplica.

- Não que eu saiba Jake. – Senti a mão quente dele queimar em meu rosto.

- Você está pálida, fria. – Ele me apertou junto dele. – Vou te levar ao hospital.

- Hospital não, eu estou bem. É normal. As vezes acontece. – Ele pareceu arfar.

- Se acontecer de novo você vai procurar um médico, ok? – Ele me encarava, sério.

- Prometo. – Dei um meio sorriso e me aninhei nos braços dele. Logo estava dormindo.

Acordei com vozes graves e abri os olhos. Charlie me encarava.

- Bella Adormecida? – Ele ria despreocupado. – Está na hora de irmos. – Olhei Jacob, que sorria calmamente.

- Perdi a hora, foi? – Me espreguicei. – Não sei o que está acontecendo comigo.

Eu e meu pai nos despedimos dos Black e seguimos tranquilamente pra casa. Já era tarde e eu resolvi ir direto para meu quarto. Li um pouco antes de pegar no sono novamente, acordei com Charlie:

- Bells, estou indo pescar com Billy e Sam. Jacob está na cozinha te esperando. – Ele me olhava, enquanto eu abria os olhos com dificuldade. – Vamos! Ande com isso! – Ele saiu fechando a porta atrás dele.

Eu saltei da cama direto para o banheiro e podia ouvir a voz de Billy e Jake no andar de baixo. Logo eu estava pronta, penteada e usando meus jeans básicos de sempre. Me olhei no espelho rapidamente e me dei conta de que precisava melhorar meu visual. Jacob era demasiadamente lindo perto de mim, que parecia tão comum, sem cor. Quando cheguei no andar de baixo, Charlie e Billy saiam tranquilamente e Jacob se apressou até mim.

- Bom dia minha princesa. – Me deu um beijo rápido nos lábios. – Tome seu café que vamos a Port Angeles. Billy me deu algum dinheiro para roupas novas. – Ele sorriu. – Essa vida de lobisomem tem suas desvantagens.

- Bom dia Jake! – Eu o abracei com força, sentindo falta do seu calor. – Tudo bem. Só me deixe comer uma tigela de cereais. – Eu estava faminta, minha barriga roncava. Ele se sentou em uma das cadeiras da cozinha enquanto eu preparava meu lanche.

- Meu pai me disse que são as últimas roupas que ele vai comprar. – Ele ria. – as vezes eu me esqueço que estou de roupa e quando vejo, elas viraram pó. – Ri com ele e me sentei a seu lado, comendo. – Esses velhos só pensam em peixe, não acha?

- Concordo! Quando não estão comendo, estão pescando ou resmungando! – Rimos alto.

- Velhos! Será que vamos ficar assim?

- Espero que não. - Terminei meu cereal e me coloquei de pé indo lavar a tigela e a colher.

- Se eu ficar assim você me mata! – Agora ele gargalhava e eu acompanhava.

- Credo Jake, que humor negro. – Mostrei a língua pra ele quando senti nauseas novamente. – Oh, droga! – Saí correndo escada acima, direto para o banheiro sem tempo nem para fechar a porta.

Lá se fora todo meu café da manhã e eu me sentia péssima, fraca. Jacob estava ali, ao meu lado, em silêncio, cuidando de mim. Ajeitou meu cabelo e esperou que eu terminasse de por tudo pra fora. Ajudou-me a levantar e a me lavar e depois me carregou até a cama.

- Amor, o que está acontecendo com você? – Ele estava aflito.

- Eu não sei, não sei mesmo! – Eu realmente não fazia idéia.

- Vou te levar ao pronto-socorro. Você não parece nada bem. – Não tive tempo de hesitar, porque quando Jacob me colocou de pé, desmaiei, desabando em seus braços.

Ele chamou meu nome diversas vezes, mas eu não podia responder. Acordei deitada em travesseiros estranhos, numa cama inclinada. Jake me olhava assustado, nervoso e meu braço doia. Droga! Agulhas. Odiava agulhas.

- Jake, me tira daqui. – Minha voz era só um sussurro.

- Bella, acalme-se. Vou chamar o médico. – Sumiu pela porta. Fiquei proferindo nomes horrendos até ele voltar com o médico.

- Isabella Swan.

- Bella. – Eu respondi.

- Muito bem Bella. Estou com uns exames aqui. – O médico lançou um olhar a Jacob, que não entendeu.

- Ah, tudo bem. Ele pode ficar. – Eu sorri para Jake e voltei a encarar o médico.

- Assine aqui para mim por favor. – Me deu a prancheta. – Obrigado! Antes de ir... – Ele começou a manusear a agulha em meu braço e trinquei os dentes. Aquilo era horrível! Ele colocou um curativo, estancando o sangue. – A senhorita não está doente, não se preocupe.

- Graças a Deus! - Jacob se levantou e se colocou ao meu lado, segurando minha mão.

- Só algumas recomendações. – O doutor me encarava com um sorriso bricando nos lábios. – Durma sempre que sentir sono, alimente-se bem e tome muito liquido. Deve aliviar os enjoos matinais.

- Esses enjoos não vão passar? – Fiquei amedrontada em pensar nos vômitos rotineiros.

- Vão sim. Quando você entrar no quarto mês já devem ter cessado. Pode variar, mas normalmente é assim. – Tudo pareceu escurecer. Quarto mês? Enjoos matinais? Jake parecia pálido.

- Eu... grávida? – Mal conseguia falar.

- Oh! Me desculpe! Parabéns mamãe! – O médico sorria abertamente. – Faça o pré-natal direitinho. É essencial. Agora já podem ir. – Prendi o ar e fiquei um pouco tonta. Apertei a mão de Jake com força e senti meu rosto quente e molhado. Estava chorando descontroladamente.

- Com licença. – O médico nos deixou a sós.

- Bella, acalme-se. – Quando o olhei, meu coração se partiu em mil pedaços, ele chorava também.

- Me desculpe. Me perdoa! – As lágrimas desciam em cascatas. – O que eu fiz?

- Para com isso, por favor. Você não fez nada. – Ele secava minhas lágrimas. – Nós fizemos e vamos ser responsáveis e dar conta disso. Agora fique calma. – Ele me abraçou e me segurou até que eu parasse de chorar.

Me levou para casa em silêncio, segurando minha mão. Precisávamos conversar e eu estava assustada agora. Muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Seria alvo de fofocas. Justo eu que gostava do anonimato. Passamos quase duas horas conversando e tentando entender como seria. Decidimos que contaríamos a nossos pais outro dia. Ele ficou comigo até que eu adormecesse, cansada de chorar. Eu precisava ver um médico, cuidar das coisas da maneira correta. Acordei enjoada e corri para o banheiro.


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