quinta-feira, 16 de abril de 2009

Capítulo 6

A HORA DA VERDADE

O dia estava sendo horrível. Depois de vomitar, cheguei na escola morrendo de fome e a hora do almoço parecia se arrastar, nunca chegava. Dormi no tempo de biologia e só despertei com o sinal. Juro que seria capaz de cortar a fila da lanchonete, mas me controlei. Jessica tagarelava sem parar e isso me ajudou a esquecer minhas neuras momentaneamente. Por que as férias não eram mais longas? O combinado era eu esperar Jake na escola. Precisávamos conversar e resolver algumas coisas.
Foi inevitável dormir pelos próximos períodos, ainda mais confortável e de barriga cheia. As horas voaram e logo encontrei Jacob no estacionamento. De lá, fomos até o centro médico marcar uma consulta com um obstetra e depois paramos para lanchar. Conversamos bastante e decidimos contar aos nossos pais depois dos exames. Quando chegamos em casa, Charlie já estava lá. Jake resolveu não ficar, pois seus deveres de casa estavam muito atrasados. Conversei com meu pai enquanto preparava o jantar e depois de comer, fui para meu quarto estudar para a prova de trigonometria. Uma boa oportunidade de tomar uma bomba!
Adormeci encima dos livros e acordei com o despertador. Estava toda dolorida e minha cabeça doía muito. Tomei um banho rápido, me vesti e desci já bem enjoada e sem fome. Apenas preparei o café de Charlie a contra gosto e saí pra aula antes que ele me fizesse perguntas. A consulta era no fim da tarde e as horas pareciam se arrastar diante da minha ansiedade. Tudo parecia um sonho estranho, borrado, sem nitidez. Eu me sentia demasiadamente fora do eixo, completamente sem foco.
Terminada as aulas, fui para casa e almocei apenas um macarrão instantâneo. Me joguei no sofá da sala e em poucos minutos estava dormindo relaxadamente. Assim que despertei, me dei conta da hora e corri para me aprontar. Logo Jacob chegou e fomos juntos até o consultório médico. O lugar estava cheio, abafado e barulhento e as pessoas pareciam me encarar. Todo mundo de Forks se conhecia e não seria diferente com a filha do chefe de polícia. Suspirei e Jake me abraçou, me apoiando. Ficamos em pé esperando a minha vez.
Pareceram horas o tempo em que ficamos lá, mas valeu a pena. A médica fez uma ultrassonografia e nos mostrou o bebê. Foi possível também ouvir seu coração que batia acelerado e nessa hora meus olhos transbordaram. Era muito surreal e muito ilógico. Meu medo passara a ser amor por aquele feto e os olhos escuros de Jacob estavam agora embaçados por lágrimas. Foi mágico, fantástico! A médica nos deu detalhes sobre a gestação, nos entregou uns folhetos e nos deu dicas importantíssimas. Saí dali mais leve, mais feliz. Afinal, agora eu era mãe e ninguém nesse mundo poderia me tirar isso!
Quando dei por mim, estávamos na frente de casa e eu ofegava. Logo Charlie chegaria e contaríamos a ele a verdade. Eu tremia constantemente e só consegui entrar em casa porque Jake me carregava. Ele buscou um copo de água e se sentou ao meu lado, esperando que eu me acalma-se. Me tomou em seus braços e ficou afagando meus cabelos, me passando tranqüilidade. Na mesma hora de sempre, ouvi papai bater a porta da viatura: a hora da verdade se aproximava.
Jacob apertou o abraço, me dando apoio, enquanto eu tentava controlar minha respiração. Charlie entrou, pendurou seu cinturão com a arma, se esticou todo e veio até nós, cumprimentando Jake com um aperto de mão.
- Vocês parecem assustados, apreensivos, sei lá! – Ele se jogou no sofá e ficou nos encarando.
- Pai, sabe o que é? – Eu procurava as palavras certas. – Eu e Jake precisávamos falar com você. – Eu tremia como nunca.
- Bom, falem crianças, estou ouvindo. – Ele mantinha um sorriso maroto nos lábios e isso não estava ajudando em nada.
- Eu e a Bella, nós... hã... – Eu o interrompi Jacob, vendo que seria muito difícil pra ele.
- Vou falar logo, sem enrolações. Vou ser objetiva! – Eu falei rápido, mas Charlie entendeu.
- Aconteceu alguma coisa? – Agora ele parecia preocupado e eu não podia fazê-lo sofrer assim.
- Aconteceu sim pai! Eu e Jake vamos ter um bebê. – Meu pai ganhou uma nova coloração no tom de giz branco e sua boca estava escancarada. Continuei falando.
- Estou grávida de 7 semanas. – Entreguei as fotos do ultrasom pra ele. – Eu e o bebê estamos bem. – Eu praticamente estava cuspindo as palavras.
- Olha Charlie, eu vou cuidar de tudo, prometo. E me desculpe por esse incidente, sei que não era isso que você queria pra Bella. – Jacob parecia aflito, nervoso.
- Eu ainda estou digerindo a notícia, me desculpem. – O silêncio inundou a sala por longos minutos. – Eu nem sei o que dizer, o que fazer. – Ele fitava o chão.
- Pai, me perdoe. – Agora eu chorava. Não queria magoar meu pai. Mas ele me surpreendeu.
- Bella, minha filha, você está bem? – Ele me abraçou, me apertando com força. – O que você está sentindo? Quer alguma coisa?
- Uhum! Quero que o senhor me solte, está me sufocando. – Eu soluçava, tentando controlar o choro.
- Oh! Me desculpe. – Ele me soltou e eu sorri pra ele. – Jake, eu só não te mato porque faria a Bella infeliz. – Incrivelmente ele sorriu. – E porque uma criança não pode ficar sem pai. – Ele abraçou Jacob e nesse momento reparei que os olhos de Charlie pareciam cheios de lágrimas.
- Obrigado Charlie! Prometo que cuidarei muito bem dos dois. – Ele sorriu. – Agora precisamos ir a La Push contar ao meu pai, antes que a notícia se espalhe. Várias fofoqueiras da cidade estavam no centro médico. – Todos nós rimos.
- Podem ir, vou logo atrás, só mudar de roupa. – Ele me olhou. – Bells, não vai se importar se eu for com sua picape, não é?
- Claro pai, sem problemas. – Eu sorri, enquanto pegava minha bolsa e segui Jake.
Ainda teria que contar pra Renée e confesso que isso me preocupava. Em La Push as coisas foram estranhamente tranqüilas e Billy afirmou que sabia que eu estava grávida. Ele sempre sabia demais. O velho Black estava realmente feliz e quando Charlie chegou, os dois brindaram com cerveja e peixe frito. O pai de Jacob deixou o meu bem mais tranqüilo e os dois se uniram pra cuidar de mim, ou melhor, da criança que eu esperava. Esses velhos carentes.
Eu e Jake ficamos namorando na garagem, conversando e idealizando como seria nossa vida dali pra frente. Fizemos planos mirabolantes e demos muita risada. Assim que cheguei em casa, liguei para mamãe e ela quase infartou do outro lado da linha. Achei que ela ia ficar chateada, que ia me passar um sermão, mas não foi assim. Ela continou afirmando que eu era uma mulher de 35 presa num corpo de 18 e que ela sabia que eu era madura suficiente para ser mãe. Rimos bastante juntas e ela me fez chorar de emoção, me contando coisas lindas sobre a gravidez.
Sozinha, no calor do meu quarto foi que eu comecei realmente a colocar as coisas no lugar e refletir sobre elas. Agora eu era Isabella Marie Swan, 18 anos, grávida. Grávida! Era muito estranho tudo isso e engraçado de certa forma. Eu, sempre tão responsável e madura, grávida aos 18, uma mãe adolescente, que ironia. Jacob parecia ainda meio perdido e confuso e eu não conseguia ler sua expressão. Ele estava obtuso, distante, mas não de mim, apenas estava perdido no emaranhado de novidades que nos cercava.
Os dias se arrastavam e o calor ameno já começava a sumir da previsão do tempo. Eu e Jake compramos algumas revistas para pais de primeira viagem e até um livro sobre bebês. Passávamos horas lendo e discutindo esse assunto, tirando e anotando todas as nossas dúvidas para a próxima consulta. Eu ainda não havia contado a ninguém do colégio sobre o fato, mas os boatos corriam. Alice me ligou apenas mais uma vez e eu resolvi que não contaria. Eu já estava diferente, mais cheia e sem cintura, mas eu usava roupas mais folgadas para disfarçar.
Eu era superprotegida por Charlie e Jacob, que pareceram se unir para tomar conta de mim como seu eu pudesse ser tragada pela Terra. Victoria ainda me assustava, mas estava desaparecida a meses. Será que ela voltaria?
Os enjôos matinais era catastróficos e mais forte que eles, só o sono que eu sentia a tarde. Logo pedi demissão da loja dos Newtons. Tentei por dias me manter alerta, mas meu pai insistiu que eu ficasse em casa descansando.
Um mês, dois meses e então era hora das pessoas saberem que eu estava grávida. Estava ficando muito difícil esconder a real situação. Pensei em contar logo de cara para Jessica, ela era ótima em espalhar as notícias. Faria isso no dia seguinte.

4 comentários:

Gabriele disse...

Sabrella to adorando a sua versao.
Mas ve se posta logo a continuaçao...to curiosaaaa!!;)
Bjoooo!!!

Anônimo disse...

PERFEITOOO!, um dos melhores de crepusculo que eu já li...

Rafany disse...

Rafany aqui

demorei mais comentei lol

Eu fico imaginando se a jéssica um dia vai ser boazinha numa fic D:
aguardando continuação
odeio não ter blog õ//

Lara disse...

leitora novaa

muito bom continuaa vai ..

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