AMOR SEM DOR
Os dias se passavam tranquilamente, apesar de parecerem voar. Testei-me por diversas vezes tentando fazer com que o buraco doesse ou voltasse a se abrir, mas isso não aconteceu. Tentava pensar em Edward, dizia seu nome em alto e bom som e nem assim eu fui capaz de sentir dor. Os pesadelos desapareceram, meus amigos da escola voltaram a falar comigo, Charlie sorria. Meu Sol particular, meu Jacob iluminava a minha vida por completo, clareou meus caminhos, tapou meu buraco.
Uma semana, duas e então Jake e eu resolvemos contar a Billy e Charlie que estávamos namorando. Demos um jeito de levar Charlie para La Push, o que não foi difícil com a final do campeonato se aproximando e depois do jantar, nos reunimos na sala:
- E então meninos, o que querem falar? – Charlie olhava para Billy, que sorria de lado.
- É! Não se demorem. Já é quase hora do jogo! – Billy nos encarava despreocupado.
- Pai, Charlie... – Jake encheu os pulmões de ar. – Eu e a Bells estamos... Ahn... namorando.
- Como é? – Charlie estava radiante e corado. E eu completamente sem graça. – Namorando, vocês dois? Fala sério?!
- Eu já sabia! – Billy deu de ombros. – Só um cego como você, meu amigo, para não perceber.
- Isso é fabuloso! Parabéns minha filha! – Meu pai me apertou num abraço desconfortável e eu me senti ridícula.
- Pai! Me solta! – Tentava me livrar de seus braços. – Está me sufocando! – Ele ria abertamente.
- Charlie, pai, a gente só queria a permissão de vocês. – Nessa hora uma coisa rara aconteceu, Jacob corou.
- Claro Jake! Tem minha permissão e minha benção! – Charlie deu um tapa no ombro de Jake e se sentou no sofá.
- Nem precisavam pedir. Agora saiam e nos deixem ver o jogo em paz! – Billy mexia as mãos freneticamente apontando para a porta.
Jake me pegou pela mão e puxou para a saída. Ficamos em silencio até nos afastarmos o suficiente da casa, caminhando em direção à praia. A noite estava mais quente nesses últimos dias, com a proximidade do verão. Nossos passos eram lentos e despreocupados e o silencio foi quebrado pela risada alta de Jacob:
- Foi tão engraçada a sua cara quando Charlie te abraçou! – Ele ria a plenos pulmões e se divertia com as lembranças.
- Jake! Não foi engraçado! Foi embaraçoso. – Trinquei os dentes e fiz Jacob rir ainda mais.
- Bells, relaxa amor. – Ele acariciou meu rosto. – Já passou!
-Tem razão, já passou. Mas foi embaraçoso. – Ele me puxava pela mão, agora com pressa. – Jake, o que está fazendo? Calma!
- Você está muito lenta hoje. Tenho pressa! – Logo estávamos na praia com ele me arrastando. – Pronto! – Nem me deu tempo para respirar e me tomou em seus braços, num beijo intenso.
Nossos beijos sempre começavam assim e eu sabia como terminavam: ou dentro do Rabbit, onde Billy não nos encontraria, ou na minha picape, o que era mais arriscado. Para nossa sorte, o pai de Jacob passava bastante tempo na casa dos Clearwater e então terminar numa cama bem macia era quase uma rotina. Mas hoje estávamos longe de casa e eu tremi quando senti minha blusa de botões deixar meu corpo e o vento frio tocar a minha pele. Jake me apertou junto dele na tentativa de me aquecer.
- Bells? Acha que aguenta a água fria? Quero tentar uma coisa. – Ele parecia um pouco preocupado. Eu sorri, imaginando o que seria.
- Aguento se você me aquecer. – Mordi meus lábios quando seu sorriso perfeito me iluminou.
- Tá! Prometo que não a soltarei. Só me deixe terminar isso. – Ele voltou a me beijar e despir minhas roupas.
Eu o ajudei com as suas e logo ele estava me carregando para dentro da água. Tive um espasmo ao sentir a água fria em meu corpo quente, mas logo o frio já não me incomodava, não existia. Estar junto a um lobisomem tinha inúmeras vantagens. Eu sorri com tal pensamento enquanto íamos mais para o fundo. Quando estávamos cobertos até a altura dos ombros, ele tomou meus lábios com os seus, me beijando intensa e profundamente, me tirando da órbita.
Estávamos nos descobrindo a cada dia e isso tornava tudo maravilhoso, novo! As mãos de Jake apertavam minhas costas, deixando nossos corpos unidos para que eu não sentisse frio. Logo experimentei a sensação de ele me invadindo calmamente, enquanto eu cravava as unhas na sua pele morena. Sentia todo seu corpo pulsar junto ao meu e enterrava o rosto na curva do seu pescoço. Ele arfava e me apertava cada vez com mais vontade. Era tudo muito forte, intenso e quente entre nós dois. E éramos só nós dois, únicos, um do outro. Apaixonados e perdidos de amor, perdidos um no outro, sem precisar achar a saída. Quando as sensações se intensificaram e nossos corpos deram o último suspiro de prazer, Jacob ria abertamente, feliz:
- Meu bem! Se eu pudesse uivar agora eu o faria! – Ri com ele e corei.
- Ah! – Era bastante cômico imaginar a cena. –Só você pra dizer isso Jake.
- Minha Bella! Só minha! E inteira... – Ele beijava meu rosto. – A pessoa mais importante da minha vida. – Beijou minha testa.
- Eu te amo! – Sorria pra ele, olhando-o nos olhos.
- Te amo mais, sempre mais! – Me deu um beijo rápido e me olhou. – Benzinho, temos que voltar. Logo o jogo acaba e hoje é minha noite de ronda.
- Poxa! Não gosto de pensar em você acordado a noite toda com aquela maluca por aí. – Fiz beicinho.
- Bells, já disse para ter calma. Eu sei me cuidar! – Ele acariciou meu rosto.
Saímos da água e ele ajudou-me a me vestir e me aqueceu antes de ir para casa. Como eu faria com os cabelos molhados? Respiramos aliviados quando voltamos e Charlie ainda estava lá. Jacob avisou que estaríamos na garagem esperando. Lá, dentro o carro, Jake tentava secar meus cabelos com as mãos e o aquecedor ligado no máximo.
- Já estou transpirando. – Eu ria abertamente agora.
- E eu então? – Ele sorriu para mim e continou seu trabalho. – Não queria levar um tiro, não hoje! Talvez amanhã!
- Jake! Pare com isso! – Dei um tapa em sua perna. – Ninguém vai atirar em ninguém, ok?
- Tá certo! – Ele ainda ria. – Quase bom! O que seria de você se eu não fosse um lobo?
- Nada! E eu nem seria Isabella Swan! – Soltamos uma gargalhada e logo ouvimos Charlie nos chamar.
Por sorte meus cabelos estavam secos, um tanto quanto desgrenhados, mas secos e logo estava em casa novamente. Meu pai estava inquieto naquela noite. Resolvi correr pro banheiro e tomar um banho para tirar o sal. Já estava de pijamas, lendo debaixo das cobertas quando Charlie entrou no quarto:
- Bella? – Ele se sentou na beirada da cama. – Precisamos conversar.
- Tá tudo bem pai? – Ele parecia preocupado.
- Está... é que... sua mãe! – Ele gaguejava. – Ela me ligou perguntando se eu havia conversado com você sobre namoros... você sabe. Essas coisas. – Ele estava corado.
- Sei e o que tem? – Ele me deixava nervosa.
- Bom, é que... você está se cuidando Bella? – Nessa hora eu engoli seco e puxei o ar com força.
- Pai! Não quero falar sobre isso com você, não de novo! É constrangedor. – Eu coloquei um travesseiro no rosto.
- Eu sei. É estranho pra mim também. Me desculpe! – Charlie parecia querer abrir um buraco no chão e se esconder. – Sou seu pai, me preocupo com você.
- Tá certo pai, o senhor tem razão. – Segurei a mão dele. – Tá tudo bem!
- Está sim! Vá dormir, você parece cansada. – Ele deu um meio sorriso e saiu, fechando a porta.
Me joguei na cama e ri um pouco com o ocorrido. Logo o ar me faltou e eu fiquei zonza. Passou um filme curto em minha cabeça e quando acabou, me permiti respirar novamente. Tentei afastar algumas idéias da e logo adormeci. Acordei com uma sensação estranha de que algo parecia estar errado, mas não conseguia me lembrar o que era. O dia seguiu normalmente, assim como minha rotina. Escola, Jacob, trabalho, Jacob, Jacob, casa... bom, a ordem havia mudado um pouquinho, mas minha vida estava ótima.
Agora Alice sempre me ligava e parecia mais confiante ao tocar no nome de Edward. Ele estava bem, morando na América do Sul e eu pedi a ela que não o alertasse sobre Victoria. A tempos a vampira sádica não dava o ar da graça. Será que ela haveria desistido? Eu duvidava, mas preferiria que fosse assim. Só de pensar em MEU Jacob lutando com ela, meus músculos se enrijeciam, o ar me faltava.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Capítulo 4
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